... inspirado pelos ares do Peleponeso, comecei o dia armado em
Leonidas da Conchada a fazer flexoes e pranchas na varanda do hotel, em
tronco nu e so com o calcao da seleccao nacional. Nao foi para me armar
em bom, simplesmente o quarto e tao pequenino, que nao conseguia fazer
isso la dentro.
Fui entao ver A Fortaleza Palamidi de Nafplio; uma edificacao dos tempos da ocupacao da Republica de Veneza datada do seculo XVIII. Foram 913 degraus, a meio ja suava em bica, e ja me tinham passado os ataques de espartanismo saloio.
Fui. Visitei, e
vim-me embora para ir a Micenas e Epidauro. Chego aos autocarros e
fiquei a saber que ao Domingo nao ha autocarros, nem para um lado, nem
para outro. Nao me fiquei. Gesticulei e perguntei. Fiquei a saber que
havia autocarros que ficavam a 4 Km. de Micenas, em Ficti. Ok e o que me
basta. Disto e que eu gosto de resto. Vagabundagem e logo se ve. Ver o
Mundo. Ver as Pessoas. Ser obrigado a isso.
Fui fazer tempo pelas ruas de Nafplio e acabei por dar com o fabuloso Museu Arqueologico da cidade. Simplesmente fabuloso. Muito bom mesmo.
Havia la, entre outros artefactos e objectos que se calhar falarei depois, uma armadura do periodo micenico toda em bronze num estado de conservacao fabuloso. Estamos a falar de um artefacto de 15 seculos antes de Cristo. Nem mais.
Tambem fiquei a perceber que para alem de Micenas, que ia visitar, tambem havia aqui perto a cidadela de Tyrins. No meio de me demorar tanto no museu, a ver tudo com a calma desejada acabei por perder o autocarro.
Entao voltei ao museu para ver tudo ainda com muito mais calma, e acabei por apanhar o seguinte para Tyrins. Fui e depois e que segui para Micenas.
Faziam 40 graus a sombra e fui a pe. Quando cheguei a meio, antes de
subir ao cabeco, perguntei a um homem que estava numa esplanada se
faltava muito para o sitio arqueologico de Micenas. Ele so falava grego.
Convidou-me a sentar e falamos por gestos como indios surdo-mudos.
Expiquei-lhe que "era Portugalia". Ele gostou. Aqui gostam de nos.
As tantas, ofereceu-se para me levar la acima na lambreta. E assim fomos. Um calor insuportavel e a lambreta borrava-se toda. Arriscou-se a ficar sem lambreta. Duas puxadas abaixo que nos iam desmontando aos dois, mas la chegamos.
Nao me pediu um centimo. Fez porque lhe apeteceu.Digo isto, porque lhe tentei dar dinheiro, e ele desviou-me a mao e recusou.
Realmente Micenas e impressionante. Comecando pelo "Tesouro de Atreu", um tolos de uma monumentalidade impressionante e que se encontra incorruptivel. Esta ali igual como ha quase 3500 anos. Sempre esteve a descoberto. E serviu de abrigo ao gado e aos pastores, no inverno durante seculos.
Uma construcao fabulosa, sem cimentos; so as pedras fazendo uma aboboda, com uma peca-chave no cimo que equilibra toda a estrutura.
Vi-me sozinho e cantarolei um fado. Tem uma acustica fabulosa.
E depois ha a cidadela de muros ciclopicos como acreditam que foi Perseu quem a fez com a ajuda dos Ciclopes. Estamos aqui a falar de muros de uma espessura de 7 metros. Cada pedra do muro pesa algumas 6 toneladas. Ao pe disto a silharia romana que conhecemos, parece Lego.
E muito facil pensar em Ciclopes e compreender as representacoes da Gigantomaquia nos frisos do Partenon, por aqui. A verdade e que a natureza aqui te faz sentir como um insecto. Parece que haver algo que te transcende, que te esmaga. Pela beleza, pelo poder natural.
Na volta fui ao cafe onde vi o meu amigo. Estava na batota. Paguei-lhe uma cerveja que bebemos juntos, mesmo sem nos percebermos muito bem, e vim-me embora a pe os outros 4 quilometros que me cabiam fazer.
Perdi o autocarro em Ficti por dois minutos. Sentei-me a ler afastado e uma mesa de homens convidou-me a sentar-me com eles. Perguntaram de onde era. A partir do momento em que expliquei que era português, em menos de dez segundos a conversa foi para o Mitroglou. E para o Katsouranis. E para o Samaris. E para o BENFICA.
O Benfica tem uma expressao internacional queiram ou nao.
Mas acima de tudo, isto sao as sociedades de que eu gosto:
Nunca se deixa ninguem sozinho. Nao e por piedade. E porque ninguem gosta de se sentir sozinho fora do seu meio.
Cheguei e ja nao fui banhar. Vou dormir, porque amanha vou ver Epidauro e depois sigo para Atenas, para ir para Delfos.
Fui entao ver A Fortaleza Palamidi de Nafplio; uma edificacao dos tempos da ocupacao da Republica de Veneza datada do seculo XVIII. Foram 913 degraus, a meio ja suava em bica, e ja me tinham passado os ataques de espartanismo saloio.
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| No alto da Fortaleza Palamidi de Napflio |
Fui fazer tempo pelas ruas de Nafplio e acabei por dar com o fabuloso Museu Arqueologico da cidade. Simplesmente fabuloso. Muito bom mesmo.
Havia la, entre outros artefactos e objectos que se calhar falarei depois, uma armadura do periodo micenico toda em bronze num estado de conservacao fabuloso. Estamos a falar de um artefacto de 15 seculos antes de Cristo. Nem mais.
Tambem fiquei a perceber que para alem de Micenas, que ia visitar, tambem havia aqui perto a cidadela de Tyrins. No meio de me demorar tanto no museu, a ver tudo com a calma desejada acabei por perder o autocarro.
Entao voltei ao museu para ver tudo ainda com muito mais calma, e acabei por apanhar o seguinte para Tyrins. Fui e depois e que segui para Micenas.
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| O amigo da boleia da lambreta |
Expiquei-lhe que "era Portugalia". Ele gostou. Aqui gostam de nos.
As tantas, ofereceu-se para me levar la acima na lambreta. E assim fomos. Um calor insuportavel e a lambreta borrava-se toda. Arriscou-se a ficar sem lambreta. Duas puxadas abaixo que nos iam desmontando aos dois, mas la chegamos.
Nao me pediu um centimo. Fez porque lhe apeteceu.Digo isto, porque lhe tentei dar dinheiro, e ele desviou-me a mao e recusou.
Realmente Micenas e impressionante. Comecando pelo "Tesouro de Atreu", um tolos de uma monumentalidade impressionante e que se encontra incorruptivel. Esta ali igual como ha quase 3500 anos. Sempre esteve a descoberto. E serviu de abrigo ao gado e aos pastores, no inverno durante seculos.
Uma construcao fabulosa, sem cimentos; so as pedras fazendo uma aboboda, com uma peca-chave no cimo que equilibra toda a estrutura.
Vi-me sozinho e cantarolei um fado. Tem uma acustica fabulosa.
E depois ha a cidadela de muros ciclopicos como acreditam que foi Perseu quem a fez com a ajuda dos Ciclopes. Estamos aqui a falar de muros de uma espessura de 7 metros. Cada pedra do muro pesa algumas 6 toneladas. Ao pe disto a silharia romana que conhecemos, parece Lego.
E muito facil pensar em Ciclopes e compreender as representacoes da Gigantomaquia nos frisos do Partenon, por aqui. A verdade e que a natureza aqui te faz sentir como um insecto. Parece que haver algo que te transcende, que te esmaga. Pela beleza, pelo poder natural.
Na volta fui ao cafe onde vi o meu amigo. Estava na batota. Paguei-lhe uma cerveja que bebemos juntos, mesmo sem nos percebermos muito bem, e vim-me embora a pe os outros 4 quilometros que me cabiam fazer.
Perdi o autocarro em Ficti por dois minutos. Sentei-me a ler afastado e uma mesa de homens convidou-me a sentar-me com eles. Perguntaram de onde era. A partir do momento em que expliquei que era português, em menos de dez segundos a conversa foi para o Mitroglou. E para o Katsouranis. E para o Samaris. E para o BENFICA.
O Benfica tem uma expressao internacional queiram ou nao.
Mas acima de tudo, isto sao as sociedades de que eu gosto:
Nunca se deixa ninguem sozinho. Nao e por piedade. E porque ninguem gosta de se sentir sozinho fora do seu meio.
Cheguei e ja nao fui banhar. Vou dormir, porque amanha vou ver Epidauro e depois sigo para Atenas, para ir para Delfos.















