quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Grécia - Dia #6 em Setembro de 2015

... inspirado pelos ares do Peleponeso, comecei o dia armado em Leonidas da Conchada a fazer flexoes e pranchas na varanda do hotel, em tronco nu e so com o calcao da seleccao nacional. Nao foi para me armar em bom, simplesmente o quarto e tao pequenino, que nao conseguia fazer isso la dentro.
Fui entao ver A Fortaleza Palamidi de Nafplio; uma edificacao dos tempos da ocupacao da Republica de Veneza datada do seculo XVIII. Foram 913 degraus, a meio ja suava em bica, e ja me tinham passado os ataques de espartanismo saloio.
No alto da Fortaleza Palamidi de Napflio
 Fui. Visitei, e vim-me embora para ir a Micenas e Epidauro. Chego aos autocarros e fiquei a saber que ao Domingo nao ha autocarros, nem para um lado, nem para outro. Nao me fiquei. Gesticulei e perguntei. Fiquei a saber que havia autocarros que ficavam a 4 Km. de Micenas, em Ficti. Ok e o que me basta. Disto e que eu gosto de resto. Vagabundagem e logo se ve. Ver o Mundo. Ver as Pessoas. Ser obrigado a isso.
Fui fazer tempo pelas ruas de Nafplio e acabei por dar com o fabuloso Museu Arqueologico da cidade. Simplesmente fabuloso. Muito bom mesmo.


Havia la, entre outros artefactos e objectos que se calhar falarei depois, uma armadura do periodo micenico toda em bronze num estado de conservacao fabuloso. Estamos a falar de um artefacto de 15 seculos antes de Cristo. Nem mais.
Tambem fiquei a perceber que para alem de Micenas, que ia visitar, tambem havia aqui perto a cidadela de Tyrins. No meio de me demorar tanto no museu, a ver tudo com a calma desejada acabei por perder o autocarro.
Entao voltei ao museu para ver tudo ainda com muito mais calma, e acabei por apanhar o seguinte para Tyrins. Fui e depois e que segui para Micenas.
O amigo da boleia da lambreta
Faziam 40 graus a sombra e fui a pe. Quando cheguei a meio, antes de subir ao cabeco, perguntei a um homem que estava numa esplanada se faltava muito para o sitio arqueologico de Micenas. Ele so falava grego. Convidou-me a sentar e falamos por gestos como indios surdo-mudos.
Expiquei-lhe que "era Portugalia". Ele gostou. Aqui gostam de nos.
As tantas, ofereceu-se para me levar la acima na lambreta. E assim fomos. Um calor insuportavel e a lambreta borrava-se toda. Arriscou-se a ficar sem lambreta. Duas puxadas abaixo que nos iam desmontando aos dois, mas la chegamos.
Nao me pediu um centimo. Fez porque lhe apeteceu.Digo isto, porque lhe tentei dar dinheiro, e ele desviou-me a mao e recusou.

Realmente Micenas e impressionante. Comecando pelo "Tesouro de Atreu", um tolos de uma monumentalidade impressionante e que se encontra incorruptivel. Esta ali igual como ha quase 3500 anos. Sempre esteve a descoberto. E serviu de abrigo ao gado e aos pastores, no inverno durante seculos.
Uma construcao fabulosa, sem cimentos; so as pedras fazendo uma aboboda, com uma peca-chave no cimo que equilibra toda a estrutura.
Vi-me sozinho e cantarolei um fado. Tem uma acustica fabulosa.
E depois ha a cidadela de muros ciclopicos como acreditam que foi Perseu quem a fez com a ajuda dos Ciclopes. Estamos aqui a falar de muros de uma espessura de 7 metros. Cada pedra do muro pesa algumas 6 toneladas. Ao pe disto a silharia romana que conhecemos, parece Lego.
E muito facil pensar em Ciclopes e compreender as representacoes da Gigantomaquia nos frisos do Partenon, por aqui. A verdade e que a natureza aqui te faz sentir como um insecto. Parece que haver algo que te transcende, que te esmaga. Pela beleza, pelo poder natural.
Na volta fui ao cafe onde vi o meu amigo. Estava na batota. Paguei-lhe uma cerveja que bebemos juntos, mesmo sem nos percebermos muito bem, e vim-me embora a pe os outros 4 quilometros que me cabiam fazer.
Perdi o autocarro em Ficti por dois minutos. Sentei-me a ler afastado e uma mesa de homens convidou-me a sentar-me com eles. Perguntaram de onde era. A partir do momento em que expliquei que era português, em menos de dez segundos a conversa foi para o Mitroglou. E para o Katsouranis. E para o Samaris. E para o BENFICA.
O Benfica tem uma expressao internacional queiram ou nao.

Mas acima de tudo, isto sao as sociedades de que eu gosto:
Nunca se deixa ninguem sozinho. Nao e por piedade. E porque ninguem gosta de se sentir sozinho fora do seu meio.
Cheguei e ja nao fui banhar. Vou dormir, porque amanha vou ver Epidauro e depois sigo para Atenas, para ir para Delfos.



Grécia - Dia #5 em Setembro de 2015

I met "The Dude"!!!!!

"The Dude"! (vide "Big Lebowski" dos irmãos Cohen)
Este porreiro e o Pekka. E finlandes. Viaja recorrentemente desde 1986. Ja esteve em 177 paises e ainda conhece os estados TODOS dos Estados Unidos da America. Semana sim, semana nao literalmente, sai da Finlandia para fazer uma viagem. Umas vezes mais tempo, outras vezes menos tempo.
"I'm crazy I know! But it is a good madness...!" - confessou-me ele entre risos.
"I'm a traveller." - assume-se.
Descansa que nao sou eu quem te vai julgar te asseguro.

O Pekka era trabalhador da Finnair, depois foi atropelado em Lisboa e recebeu uma choruda indemnizacao do seguro. Entre isso e a boa reforma, passa a vida a viajar por todo o mundo mas na maior simplicidade possivel.

Fizemos a viagem ate ao Istmo de Corinto, porque segundo nos indicaram hoje nao havia transportes ate Bassia para ver o Templo de Apolo Epicuro.

Ele vinha de Olimpia tambem. Apanhou o autocarro das 9:30 comigo e depois seguimos ate ao istmo de Corinto, onde ele seguiu para Micenas, antes de voltar ainda hoje para Atenas e eu fui ate Nafplio onde vou entao assentar base dois dias para visitar Micenas, Epidauro e Nafplio.

A proposito de Olimpia: diz o outro badameco em Portugal que "Portugal nao e a Grecia".
E igual sim senhor. E apenas uma questao de tempo se formos pelas mesmas politicas, que temos vindo a seguir. Iguais as deles. Muita gente que fala e escreve e nao diz nada, devia ca vir presenciar este exemplo, antes de palrar com tanta falsa propriedade merdosa.
Espero que Portugal acorde. Quanto mais cedo melhor.
O Peloponeso e exactamente igual ao interior de Portugal. A estacao de Olimpia esta desactivada.

Estação de comboios de Nápflio
Nao ha comboios em toda a Peninsula do Peloponeso. Foi tudo desactivado. E toda uma superficie de 21.549 km² sem ligacoes de comboio. So ha autocarros de companhias privadas que practicam os precos que lhes apetece.
Privado e que e espectacular, nao e? E. Porque sim. E moderno.
E quem nao quer aturar injeccoes turisticas e quer ver as coisas com tempo que se lixe. Nao quisesse. Assim e que e moderno. Nao ter ligacoes e pagar caro por um servico e que e porreiro. Qualidade de vida? Sim mas so para alguns. Para nos sentirmos mais importantes.
E pronto foi o meu momento, porque neste momento esta tudo na Quinta da Atalaia e eu pela primeira vez em muitos anos nao estou la.
Cheguei entao a Napflio, onde experimentei alguns produtos locais (finalmente as famosas folhas de parreira recheadas), e agora, bem relaxado, vou dormir que as 7 quero estar a pe. Faz muito calor e ha muita coisa a ver.


Azeitonas e ouzo!


Grécia - Dias #3 e 4 em Setembro de 2015

Algures no meio da Peninsula do Peloponeso e mais precisamente tambem em Olimpia
Na noite do dia 2 em Atenas voltei a estar no hostel com dois gajos com quem ja tinha estado a falar na primeira noite. Falou-se de alugar um carro (aqui isso e mais barato) e andar a dar umas voltas. Acabei por abandonar a ideia e segui sozinho o meu caminho.
Abreviando, no primeiro dia um deles confessou-me todo contente, que desde que tinha chegado a Atenas ha um mes que ainda nao tinha pago um unico bilhete de metro ou de autocarro. Lembrou-me que desde a crise do ultimo referendo, as companhias fechavam os olhos, e o Estado tambem, por saberem que as pessoas nao tem dinheiro nenhum.
Pois pa, mas isso sao os gregos. Um gajo que esta emigrado em Franca e nao ganha mal, fazer isso e ainda se regozijar acho um bom nojo. So porque esse dinheiro ha-de reverter para o Estado Grego e para as pessoas, que estao completamente na merda. Acho uma mitrice nojenta. Mas pronto, como dizem que sou muito exigente e que sou demasiado rabujento, fui buscar outra cerveja e admiti que ele fosse apenas estupido e nao raciocinasse muito bem. Ate era bom rapaz. Tinha 30 anos e tinha ido votar aos 18 e agora no Podemos. Gostava do Podemos e as vezes do Franco.
No segundo dia, o mesmo rapaz confessou-me tambem a esfregar as maos que aquele bairro de Atenas (Monastiraki) estava ultimamente cheio de casas com uma luz a porta. Nessas casas podias entrar e podias ter relacoes com uma rapariga por dez euros. Ele ja tinha ido varias vezes.
Foi ai que achei o gajo mesmo nojento e que disse que sim, sim senhor, esta descansado que bato a porta amanha para irmos. Levantei-me arrumei a minha mala e nao lhes disse nada. Achei que nao me ia divertir. E pronto fico por aqui ja que estou de ferias.
Segui entao para Olimpia. Atravessei o fabuloso Estreito de Corinto (uma obra de engenharia que permite ligar o Golfo de Corinto ao Golfo de Egina, a sul, atraves de um canal de 6Km talhado na terra). Segui entao pela costa norte do Peloponeso. So tenho uma entre varias coisas a dizer: este pais e lindo. As paisagens sao impressionantes. A costa e sempre montanhosa e muito recortada, entao ve-se mar e do outro lado mais terra e mais montes.
O Theokoleon em Olímpia - Monumento a Zeus (Altis)
Cheguei e fiz as coisas com muita calma. Hoje visitei Olimpia. Os dois museus (o primeiro e o arqueologico e o sitio arqueologico). Vale a pena claro que vale. Nao ha muito em pe, do que era o Santuario de Olimpia, mas depois de ir aos museus, consegue-se perceber a escala do sitio. Tanto das estruturas, como da dimensao humana relativa a estas. E incrivel como e que a arquitectura classica grega conseguia ser tao imponente, mas ter uma escala tao humana, ser tao harmoniosa.

O "stadion" de Olímpia
Ontem quando cheguei, o senhor da recepcao de 92 anos deu-me as dicas todas sem eu pedir nada. Tanto acerca da viloria de Olimpia, como do sitio arqueologico. Vive sozinho com a mulher tambem velhota. Sao os donos do pequeno parque de campismo. Achou piada ao facto de andar a viajar sozinho e de me interessar por historia. Esta sempre a rir. E uma boa licao de Vida.
Hoje teceu-me um bonito elogio, que nao vou dizer, porque esta conversa por si ja soa mal por si mesma, e perguntou se me podia oferecer uma coisa. Ofereceu-me entao o ultimo livro que editou em 2010.

E uma ficcao acerca da Atlantida e de Platao. Esta escrito em grego, o que o pareceu desolar. Mas eu hei-de aprender grego. Cada vez gosto mais de como soa.
O livro vai comigo e fiquei sem palavras. E por estas coisas, e tanto por estas coisas que eu gosto tanto de viajar.
Amanha sigo para Nafplio, onde vou assentar base 2 ou 3 dias para poder visitar Micenas, Epidauro, e tambem Nafplio.




Grécia - Dia # 2 em Setembro de 2015

Pireu (Porto de Atenas) e Atenas ainda. E estádio do Olympiakos, encontrado por acaso.

Estádio do Olympiakos

Se ha coisa que nao vou definitivamente fazer no caso de visitar as Ciclades vai ser enfiar-me em Santorini,em Mikonos, Paros ou Ios. Fui ao Porto do Pireu para me organizar e nunca vi uma absurdidade destas. E isto e em Setembro, que segundo os guias e ja um mes mais calmo. Nem quero imaginar a merda que nao e em Julho ou Agosto.

O Pireu

Os ferrys e os barcos de alta-velocidade (gigantescos) saem de 10 em dez minutos a abarrotar de palermas.Vao todos porque os amigos foram e eles tambem vao porque sim. As ilhas sao pequenas. Eu nem quero imaginar o inferno que nao e aquela merda. Albufeira em
 Agosto deve parecer o Deserto do Sahara, comparativamente.
Portanto se for para as ilhas, nao vou para uma dessas palhacadas hiper-turisticas cheias de parolos. Isso esta decidido.

Museu da Acrópole

Ao mesmo tempo, enquanto tens palermas a ir para Santorini, tens sirios a chegar a solo europeu. Impressionaram-me. As expressoes que trazem na cara, de medo,de desorientacao. Saem dos barcos e nao fazem a minima ideia para onde ir. Metem-se no metro para Atenas, desconhecendo que a partir do Pireu podem logo apanhar um autocarro para Tessalonica,para seguirem depois para a Alemanha. Completamente perdidos.

Nao os consegui fotografar. Achei, ou senti, que os ia tratar como animais de circo.
Depois ainda visitei o novo Museu da Acropole, ja que o Museu Arqueologico do Pireu estava fechado.

Amanha sigo para Olimpia. E os teclados continuam a nao ter acentos.

Grécia - Dia #1 em Setembro de 2015


Aterrei com a alma toda.
Deixei-me de mariquices e deixei a viagem de Metro a meio, a partir do aeroporto para sair na Syntagma.
O Parlamento Helénico na Praça Sintagma
Foi assim logo o primeiro contacto a olhar para o Parlamento Grego. Ve-se muita miseria nas ruas. Pessoas que percebes que nao estao ali ha muito tempo. Nao estao por problemas de drogas ou alcool. Apenas ficaram sem trabalho e agora vivem nas ruas. Ainda conservam a dignidade.
Nas noticias estao todos os comentadores da treta, iguais aos de ca, mas com ares apreensivos. Percebes que ja nao sabem mais que baboseiras vao dizer agora. Game Over.
De resto as pessoas sao amabilissimas. Falam alto como pessoas normais e as ruas cheiram a especiarias como na Turquia ou em Marrocos. Gosto muito mesmo.


O Parténon e a Acrópole Ateniense
Tambem ha a outra parte. Finalmente percebi que as esculturas classicas nao sao criacoes, mas sim reproducoes da realidade.
As mulheres gregas sao estupidamente bonitas. Entraram directamente no ranking onde estao as tunisinas e as servias para mim. Eu nao sei onde enfiam estes gajos as mulheres feias,porque ainda nao as vi. Mas ainda bem que tem esta proporcao de uma gaja boa por m2. Sempre deve ajudar a aguentar a crise.

Muros da Acrópole


À noite dei uma volta por Plaka. Vi a acrópole lá em cima toda iluminada. Também me lembrei dos festejos do Euro 2004.

Vou deixar Atenas para o final da viagem, como o coroar de tudo o que tenciono ver.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Será só a mim que isto soa estranho?

Alerta à população:

A Polícia de Segurança Pública resolveu emitir um comunicado a partir do seu site (ver aqui), onde informa os cidadãos em relação aos locais onde vai colocar radares em diversas cidades do território nacional.

Deixa lá ver se eu percebi bem... a polícia está a avisar de antemão em que locais singulares vai controlar a velocidade para fazer cumprir a lei. Lei essa que deve ser cumprida em todas as vias de trânsito, independentemente da existência de radares ou não.

Eu acho isto genial. Assim se promovem a selvajaria e o chico-espertismo, essa nobre arte tão lusitana.

Portanto os condutores só têm que se "portar bem" naquelas artérias onde a PSP avisou de antemão. De resto é andar a abrir, a apitar e na animalada do costume.
E assim os polícias não se chateiam e os condutores fingem ser pessoas civilizadas. O incentivo ao respeito pelo próximo e ao sentido de dever social é que foram chutados para canto, mas isso é com certeza um pormenor de somenos importância.


domingo, 21 de dezembro de 2014

"...mas sabe que se Deus toca..."

Testemunhas de Jeová à porta. Duas velhas. E a Patrícia ali a empatar mesmo à portuguesa, sem tomar uma atitude clara e definitiva. Às vezes penso que o holandês sou eu, irra!
"- pois.. sabe... pois.... sou agnóstica... pois...eu compreendo...
- ...mas sabe que se Deus toca.... - começa a rebater uma das velhas."

Teve que ser a besta do costume a acabar com a comédia lá do fundo da casa:
" - Somos ateus! Obrigado! Olhe desculpe se apareço assim em cuecas, mas estou em minha casa, como deve perceber."
- Ahhhh.... ah-ah-ah... então boa taaarde."


Chiça penico pá! Vão chatear o Camões.
"Se Deus Toca"? Atão não toca??!!
 Olha Ele aí a tocar:

https://www.youtube.com/watch?v=nLsXJitaiVo&spfreload=10

sábado, 20 de dezembro de 2014

Ilegalizem a prostituição. JÁ! E persigam e castrem quem não concordar comigo.

https://www.youtube.com/watch?v=dcQ3cTnwniQ&spfreload=10


Eu acho que a prostituição devia ser erradicada. Para isso há que proibir a prostituição. As pessoas não têm que ter esses instintos e quem os tem porque não consegue sexo ou alguma espécie de afecto sem ser pagando, tem toda a obrigação de reprimir esses sentimentos errados. Se não conseguir fazê-lo então, e no caso dos conventos andarem cheios, deve optar pela castração química. De preferência em regime de voluntariado, mas se não fôr de livre vontade não faz mal, nem interessa: Impõe-se.
O problema não deve ser posto pelo ponto de vista da legalização, controlo sanitário e protecção das pessoas que fazem algo que sempre existiu e sempre existirá. A questão não deve ser colocada pelo ponto de partida que critica os falsos moralismos, e tenta contextualizar um lado prático e viável na matéria. Não! Deve-se atacar e perseguir. Não só esse porco do homem, como toda e qualquer mulher que traia o seu género ao tomar as suas opções particulares.
Se não houvesse tanto falso moralismo, as redes de tráfico humano teriam um espaço de manobra menor. Se não andássemos às voltas com os dogmas religiosos imbecis um pouco por todo o lado - incluo também a religião neo-feminista, de preferência aquela da facção mais radical movida só a berros e frases feitas - se calhar teríamos a inteligência para dar resposta a questões concretas, em vez de se palrar tanto e de se berrar demasiado.
A experiência holandesa é horrível. Claro que é e deve ser atacada. JÁ! Quando deixar de se fazer às claras, com segurança e sem proxenetas vai passar a fazer-se clandestinamente com as mulheres a apodrecerem com DST's e a levarem porrada dos machos. Assim é que é melhor. Claro que é.
E para além de ser, esta é acima de tudo uma postura transbordante de lucidez e de clarividência.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A Caverna de Platão

                                                        



Michel Giacometti apaixonou-se por nós e ficou dormindo na minha Terra, o Alentejo.

Está sepultado em Peroguarda (Cuba). De cada vez que lá passo ou lhe vou dar uma flôr ou apito da estrada. Faço questão que assim seja.
Se nos dedicarmos a ouvir algo do canto popular e litúrgico da sua Córsega natal, tudo se torna muito claro,

https://www.youtube.com/watch?v=Z64Iglfn42A

O mais natural e expectável seria dizer que esta coisa me sai aqui do peito. É bonito e poético e a poesia vende-se às vezes. Mas no meu peito sou só eu, e estas coisas imbecis que me descobrem são só água e sal. Não me quero alongar, nem me apetece neste sentido, mas aqui fica uma dica acerca da importância que damos à nossa cultura no bonito Portugal: 

Estava no Almada Fórum o documentário "Alentejo, Alentejo" do Sérgio Tréfaut, em sessão única às 19. Agora já não está. Está o "Fado Camané" - e que espero ver aqui em Coimbra.
Ora para mim havia espaço para os dois ao mesmo tempo. Relembro que o "Alentejo, Alentejo" esteve numa única sala em todo o país e em sessão única. Eu tive que viajar 460 quilómetros para o poder ver. 

Relembrando a conversa que tive hoje, onde alguém defendia que o serviço público é mau, e que o privado é que é espectacular, faço notar que estes grupos económicos que dominam  todas as salas de cinema em Portugal, não sentem dever nada ao cidadão comum, e limitam-se a vender um serviço. Logo não têm qualquer responsabilidade cultural para com ele. 


E o cidadão comum contenta-se em apreciar as sombras da caverna que vê na parede, porque essa é a única realidade que conhece. Conhece filmes de porrada e imbecilidades pseudo-românticas pastosas, e julga-se feliz na sua ignorância e cegueira. Tanto é assim, que ironicamente no fim, acaba por defender o serviço privado generalizado que o priva de vôos mais altos.



Trailer do documentário "Alentejo, Alentejo" de Sérgio Tréfaut:
https://www.youtube.com/watch?v=dHyqP9yE4XE

Trailer do documentário "Fado Camané" de Bruno de Almeida:
http://vimeo.com/108083462





 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Inferno na Terra para João Macias é um concerto do ex-cantor dos The Smiths.

Eu vi logo que aquilo não ía correr bem assim que cheguei ali à Ginjinha no Rossio e vi a fauna que se encaminhava para o Coliseu. Já nas Portas de Stº Antão, decidi não me deixar intimidar, e logo ali, entrei no primeiro tasco que encontrei, para comprar uma sandes de presunto. Era uma sandes enorme com as fatias de carne a saírem para fora da carcaça. Não perdi tempo e fui passear para a porta do Coliseu segurando ostensivamente a minha sandes de cadáver, mesmo nas barbas dos seguidores de São Morrissey.

Aquilo não era nada. Mal eu sabia que o meu calvário apenas começara.

Assim que entrei no Coliseu, dei de caras com uma menina da Animal (giríssima, será que ela não teria nada melhor para fazer?) a distribuir panfletos. Recusei enquanto reparava que ela estava toda tatuada. Será que ela parou para pensar que antes de se tatuarem pessoas, as tintas da tatuagens obviamente tiveram que ser experimentadas em animais? Ou isso não lhe passa pela cabeça? Ou ainda, faz como fazem todos os animalistas, que hipocritamente alienam realidades que não lhes interessam, para reconstruírem uma utopia perfeitamente irreal, à medida dos seus devaneios particulares e sem qualquer fundamento científico real?

Adiante...

Adiante estavam já umas imagens a passar no ecrán de fundo. Apareceu a Margaret Thatcher e umas mensagens de comprazimento respeitantes à sua morte. Desconfio, que pela pouca quantidade de cabelo presente na sala, estava perante a condenação menos da Thatcher que sacrificou o Estado Social britânico, e talvez mais, da Thatcher que avisou que "Crucificaría todos os skinheads da extrema-direita".

A primeira pérola da noite seguir-se-ía poucos minutos depois. No ecrán começaram a passar imagens de Corridas de Touros e a multidão pensante do culto do São Morrissey desatou a uivar e a assobiar. Eu que já me estava a passar, caguei e fui de cabeça. Bati palmas e berrei "BRAVO!" e "OLÉ!!!". Juro que era o único a fazê-lo. Num certo sentido percebi que um é mais corajoso que uma manada. Mas também nesta altura já começava a ficar por tudo. Alguém me disse "Que estás a fazer? Eu sou contra as touradas!"

"-És? Olha eu sou a favor".

Continuam as imagens e desta vez nem os forcados portugueses escaparam.

Este vosso escriba passou-se e resolveu tirar partido da multidão nacionalista ali presente. Só para ficarem um bocadinho confusos...

"- A CULPA DISTO É DA PORRA DO TRATADO DE WINDSOR! QUEM É QUE ESTE INGLÊS DE MERDA PENSA QUE É, PARA VIR PARA AQUI DAR LIÇÕES DE MORAL?!"


Começa então o concerto. Felizmente. Finalmente.

Às 21:30 britânicamente pontuais, entra o nosso herói eco-fascista em acção.
"The Queen is Dead" diz ele. Todo vestido de branco, entre o bife a gozar a reforma no Algarve e o patrão da plantação de cacau do Gana, ali está ele na sua plenitude. As pessoas tocam-no. Ele deixa-se tocar, para seguidamente limpar as mãos com repulsa. É o maior.

Isto era o que tinha à frente. Atrás tinha dois casais podres de bêbedos. Eles enormes, cheios de tatuagens com frases tipo "Pátria ou Morte" e outros símbolos igualmente engraçados. Elas bêbedas a berrarem O TEMPO TODO no meio das canções,

"MÓ-RI-CÊI! MÓ-RI-CÊI!
UUÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍ!!!!......
AI LÔV IU!
MÓ-RI-CÊI!!"

Abstrai-te João. Vê o concerto, olha para a frente,

":...Ohh eu sou algo maior do que um simples homem....e todos vós sois a merda que eu cago..."

"- MÓ-RI-CÊI! MÓ-RI-CÊI!"

Olha para o concerto, caga tu.

"...Ohhh as vacas no prado compreendem melhor do que tu que não tens cérebro...."

" - MÓ-RI-CÊI! MóóóóÓÓÓÓÓBBLLAAAAAAAAAAAAARRRRGGGGGHHHH .... ... ptiuu.. pu..."

E lá à frente o gajo a continuar em força..

"Ohhhh... Deixem os tou-ros vi-ver......"

"MÓ...HIC..gáá..." (e o chão todo vomitado)

E mais touros. E mais tourada. Fui incapaz de não pensar que este gajo teve foi uma relação que correu mal com um toureiro... ou tem fetiches com as calças... isto há aqui alguma coisa mal resolvida, para estar sempre a bater na mesma tecla.

E pronto, e vídeos dos aviários... e os porquinhos.. e as vaquinhas... e os animaizinhos coitadinhos e ele a cantar por cima,

"E porque me havería eu de ralar...? Se não sou eu... se não me dói a mim..."

Mas espera lá; este gajo acha que é igual ao porco ou à galinha, é isso?

Mas o inferno é mesmo esse; para além destes episódios, seria mais fácil se eu pudesse dizer que não gosto de Morrissey, ou dos The Smiths musicalmente. Ou mesmo liricamente (não de tudo, claro; isso é impossivel). Mas não é assim.

A verdade acerca do concerto?
Foi muito giro o concerto. Foi musicalmente irrepreensível (estou a falar a sério), mas tentava abstrair-me desta missa o tempo todo, o que foi impossível. E tentava não olhar para o público. Este dividia-se entre animalistas, neo-nazis e muita malta de óculos de massa. Nunca vi tanto caixa de óculos junto. Se em Portugal só se lê a Bola e o Correio da Manhã, queres ver que todos os gajos que lêm livros em Portugal, estavam no concerto do Morrissey? É provável, é.

Continuo a gostar bastante de Morrissey. Não garanto é que volte a repetir a experiência, por tudo o que lhe está inerente. O Morrissey? O Morrissey deve ser um gajo porreiro, mas eu preferia jantar com o Saddam Hussein, do que beber uma cerveja com ele.



P.S.: Na foto temos o Retrato do Escriba Enquanto Jovem A.M*. Quando era um animal feliz.

*Antes de Morrissey.




sábado, 18 de outubro de 2014

Da superioridade civilizacional

É difícil não me lembrar, que no meio dessa filosofia da superioridade, própria dos amigos dos animais, faz pouco tempo fui anfitrião de alguém que não era português.

"- Podemos ir até ao Oceanário. A garota vai gostar.
- Não. Não me agradam essas coisas dos animais presos!
- Mas são peixes. Eles nem percebem que estão presos. E ao menos estão vivos. No oceano faziam parte da cadeia alimentar.
- Não!
- Olhem isto é uma francesinha. É um pouco pesado, mas é bastante apetitoso.
- Parece-me que isto é a coisa mais porca que alguma vez comi!
- Bem um destes dias também podemos comer uma boa cabidela.
- O que é?
- (explicação)
- Bleargh!
- Ou ossos à moda aqui de Coimbra.
- O que é?
- (explicação)
- Não. Não comerei disso. É bar-bá-ri-co."


Talvez seja bar-bá-ri-co. Adoro as acentuações silábicas, como nos ensinamentos da catequese, onde ex-pli-cam pa-ter-nal-men-te às pobres criancinhas a cartilha.
Felizmente nunca fui à catequese, mas sei que é as-sim.

Mas dispersões à parte e voltando à gastronomia: será mesmo barbárico? Então os hábitos culturais de uns são barbáricos e os dos outros têm o condão da civilização, é assim?
E depois é claro que logicamente vão ensinar os primeiros a serem civilizados como eles. Porque colonizar é civilizar. Mais manual do "esquerda à brava" tão em voga.

E ainda a má criação e a falta de nível alguém saberá o que são?
Serão também barbáricas ou serão característica própria dos povos civilizados?

Enfim...

Dessa é que foi mesmo castigo divino, com ou sem catequese. Andar a aturar animalistas que só se deslumbravam com lagos com patos dez dias inteirinhos.

Note-se que o roteiro gastronómico foi a hipótese b) depois de perceber que não havia a mínima sombra de pintelho de existir uma grama de interesse, sobre um roteiro histórico-cultural no bonito Portugal. Uma semana depois ainda estava a aturar o Morrissey de bónus.
 Vá lá que a seguir nasceu a minha filha e a vida recompôs-se.