domingo, 21 de dezembro de 2014

"...mas sabe que se Deus toca..."

Testemunhas de Jeová à porta. Duas velhas. E a Patrícia ali a empatar mesmo à portuguesa, sem tomar uma atitude clara e definitiva. Às vezes penso que o holandês sou eu, irra!
"- pois.. sabe... pois.... sou agnóstica... pois...eu compreendo...
- ...mas sabe que se Deus toca.... - começa a rebater uma das velhas."

Teve que ser a besta do costume a acabar com a comédia lá do fundo da casa:
" - Somos ateus! Obrigado! Olhe desculpe se apareço assim em cuecas, mas estou em minha casa, como deve perceber."
- Ahhhh.... ah-ah-ah... então boa taaarde."


Chiça penico pá! Vão chatear o Camões.
"Se Deus Toca"? Atão não toca??!!
 Olha Ele aí a tocar:

https://www.youtube.com/watch?v=nLsXJitaiVo&spfreload=10

sábado, 20 de dezembro de 2014

Ilegalizem a prostituição. JÁ! E persigam e castrem quem não concordar comigo.

https://www.youtube.com/watch?v=dcQ3cTnwniQ&spfreload=10


Eu acho que a prostituição devia ser erradicada. Para isso há que proibir a prostituição. As pessoas não têm que ter esses instintos e quem os tem porque não consegue sexo ou alguma espécie de afecto sem ser pagando, tem toda a obrigação de reprimir esses sentimentos errados. Se não conseguir fazê-lo então, e no caso dos conventos andarem cheios, deve optar pela castração química. De preferência em regime de voluntariado, mas se não fôr de livre vontade não faz mal, nem interessa: Impõe-se.
O problema não deve ser posto pelo ponto de vista da legalização, controlo sanitário e protecção das pessoas que fazem algo que sempre existiu e sempre existirá. A questão não deve ser colocada pelo ponto de partida que critica os falsos moralismos, e tenta contextualizar um lado prático e viável na matéria. Não! Deve-se atacar e perseguir. Não só esse porco do homem, como toda e qualquer mulher que traia o seu género ao tomar as suas opções particulares.
Se não houvesse tanto falso moralismo, as redes de tráfico humano teriam um espaço de manobra menor. Se não andássemos às voltas com os dogmas religiosos imbecis um pouco por todo o lado - incluo também a religião neo-feminista, de preferência aquela da facção mais radical movida só a berros e frases feitas - se calhar teríamos a inteligência para dar resposta a questões concretas, em vez de se palrar tanto e de se berrar demasiado.
A experiência holandesa é horrível. Claro que é e deve ser atacada. JÁ! Quando deixar de se fazer às claras, com segurança e sem proxenetas vai passar a fazer-se clandestinamente com as mulheres a apodrecerem com DST's e a levarem porrada dos machos. Assim é que é melhor. Claro que é.
E para além de ser, esta é acima de tudo uma postura transbordante de lucidez e de clarividência.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A Caverna de Platão

                                                        



Michel Giacometti apaixonou-se por nós e ficou dormindo na minha Terra, o Alentejo.

Está sepultado em Peroguarda (Cuba). De cada vez que lá passo ou lhe vou dar uma flôr ou apito da estrada. Faço questão que assim seja.
Se nos dedicarmos a ouvir algo do canto popular e litúrgico da sua Córsega natal, tudo se torna muito claro,

https://www.youtube.com/watch?v=Z64Iglfn42A

O mais natural e expectável seria dizer que esta coisa me sai aqui do peito. É bonito e poético e a poesia vende-se às vezes. Mas no meu peito sou só eu, e estas coisas imbecis que me descobrem são só água e sal. Não me quero alongar, nem me apetece neste sentido, mas aqui fica uma dica acerca da importância que damos à nossa cultura no bonito Portugal: 

Estava no Almada Fórum o documentário "Alentejo, Alentejo" do Sérgio Tréfaut, em sessão única às 19. Agora já não está. Está o "Fado Camané" - e que espero ver aqui em Coimbra.
Ora para mim havia espaço para os dois ao mesmo tempo. Relembro que o "Alentejo, Alentejo" esteve numa única sala em todo o país e em sessão única. Eu tive que viajar 460 quilómetros para o poder ver. 

Relembrando a conversa que tive hoje, onde alguém defendia que o serviço público é mau, e que o privado é que é espectacular, faço notar que estes grupos económicos que dominam  todas as salas de cinema em Portugal, não sentem dever nada ao cidadão comum, e limitam-se a vender um serviço. Logo não têm qualquer responsabilidade cultural para com ele. 


E o cidadão comum contenta-se em apreciar as sombras da caverna que vê na parede, porque essa é a única realidade que conhece. Conhece filmes de porrada e imbecilidades pseudo-românticas pastosas, e julga-se feliz na sua ignorância e cegueira. Tanto é assim, que ironicamente no fim, acaba por defender o serviço privado generalizado que o priva de vôos mais altos.



Trailer do documentário "Alentejo, Alentejo" de Sérgio Tréfaut:
https://www.youtube.com/watch?v=dHyqP9yE4XE

Trailer do documentário "Fado Camané" de Bruno de Almeida:
http://vimeo.com/108083462





 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O Inferno na Terra para João Macias é um concerto do ex-cantor dos The Smiths.

Eu vi logo que aquilo não ía correr bem assim que cheguei ali à Ginjinha no Rossio e vi a fauna que se encaminhava para o Coliseu. Já nas Portas de Stº Antão, decidi não me deixar intimidar, e logo ali, entrei no primeiro tasco que encontrei, para comprar uma sandes de presunto. Era uma sandes enorme com as fatias de carne a saírem para fora da carcaça. Não perdi tempo e fui passear para a porta do Coliseu segurando ostensivamente a minha sandes de cadáver, mesmo nas barbas dos seguidores de São Morrissey.

Aquilo não era nada. Mal eu sabia que o meu calvário apenas começara.

Assim que entrei no Coliseu, dei de caras com uma menina da Animal (giríssima, será que ela não teria nada melhor para fazer?) a distribuir panfletos. Recusei enquanto reparava que ela estava toda tatuada. Será que ela parou para pensar que antes de se tatuarem pessoas, as tintas da tatuagens obviamente tiveram que ser experimentadas em animais? Ou isso não lhe passa pela cabeça? Ou ainda, faz como fazem todos os animalistas, que hipocritamente alienam realidades que não lhes interessam, para reconstruírem uma utopia perfeitamente irreal, à medida dos seus devaneios particulares e sem qualquer fundamento científico real?

Adiante...

Adiante estavam já umas imagens a passar no ecrán de fundo. Apareceu a Margaret Thatcher e umas mensagens de comprazimento respeitantes à sua morte. Desconfio, que pela pouca quantidade de cabelo presente na sala, estava perante a condenação menos da Thatcher que sacrificou o Estado Social britânico, e talvez mais, da Thatcher que avisou que "Crucificaría todos os skinheads da extrema-direita".

A primeira pérola da noite seguir-se-ía poucos minutos depois. No ecrán começaram a passar imagens de Corridas de Touros e a multidão pensante do culto do São Morrissey desatou a uivar e a assobiar. Eu que já me estava a passar, caguei e fui de cabeça. Bati palmas e berrei "BRAVO!" e "OLÉ!!!". Juro que era o único a fazê-lo. Num certo sentido percebi que um é mais corajoso que uma manada. Mas também nesta altura já começava a ficar por tudo. Alguém me disse "Que estás a fazer? Eu sou contra as touradas!"

"-És? Olha eu sou a favor".

Continuam as imagens e desta vez nem os forcados portugueses escaparam.

Este vosso escriba passou-se e resolveu tirar partido da multidão nacionalista ali presente. Só para ficarem um bocadinho confusos...

"- A CULPA DISTO É DA PORRA DO TRATADO DE WINDSOR! QUEM É QUE ESTE INGLÊS DE MERDA PENSA QUE É, PARA VIR PARA AQUI DAR LIÇÕES DE MORAL?!"


Começa então o concerto. Felizmente. Finalmente.

Às 21:30 britânicamente pontuais, entra o nosso herói eco-fascista em acção.
"The Queen is Dead" diz ele. Todo vestido de branco, entre o bife a gozar a reforma no Algarve e o patrão da plantação de cacau do Gana, ali está ele na sua plenitude. As pessoas tocam-no. Ele deixa-se tocar, para seguidamente limpar as mãos com repulsa. É o maior.

Isto era o que tinha à frente. Atrás tinha dois casais podres de bêbedos. Eles enormes, cheios de tatuagens com frases tipo "Pátria ou Morte" e outros símbolos igualmente engraçados. Elas bêbedas a berrarem O TEMPO TODO no meio das canções,

"MÓ-RI-CÊI! MÓ-RI-CÊI!
UUÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍÍ!!!!......
AI LÔV IU!
MÓ-RI-CÊI!!"

Abstrai-te João. Vê o concerto, olha para a frente,

":...Ohh eu sou algo maior do que um simples homem....e todos vós sois a merda que eu cago..."

"- MÓ-RI-CÊI! MÓ-RI-CÊI!"

Olha para o concerto, caga tu.

"...Ohhh as vacas no prado compreendem melhor do que tu que não tens cérebro...."

" - MÓ-RI-CÊI! MóóóóÓÓÓÓÓBBLLAAAAAAAAAAAAARRRRGGGGGHHHH .... ... ptiuu.. pu..."

E lá à frente o gajo a continuar em força..

"Ohhhh... Deixem os tou-ros vi-ver......"

"MÓ...HIC..gáá..." (e o chão todo vomitado)

E mais touros. E mais tourada. Fui incapaz de não pensar que este gajo teve foi uma relação que correu mal com um toureiro... ou tem fetiches com as calças... isto há aqui alguma coisa mal resolvida, para estar sempre a bater na mesma tecla.

E pronto, e vídeos dos aviários... e os porquinhos.. e as vaquinhas... e os animaizinhos coitadinhos e ele a cantar por cima,

"E porque me havería eu de ralar...? Se não sou eu... se não me dói a mim..."

Mas espera lá; este gajo acha que é igual ao porco ou à galinha, é isso?

Mas o inferno é mesmo esse; para além destes episódios, seria mais fácil se eu pudesse dizer que não gosto de Morrissey, ou dos The Smiths musicalmente. Ou mesmo liricamente (não de tudo, claro; isso é impossivel). Mas não é assim.

A verdade acerca do concerto?
Foi muito giro o concerto. Foi musicalmente irrepreensível (estou a falar a sério), mas tentava abstrair-me desta missa o tempo todo, o que foi impossível. E tentava não olhar para o público. Este dividia-se entre animalistas, neo-nazis e muita malta de óculos de massa. Nunca vi tanto caixa de óculos junto. Se em Portugal só se lê a Bola e o Correio da Manhã, queres ver que todos os gajos que lêm livros em Portugal, estavam no concerto do Morrissey? É provável, é.

Continuo a gostar bastante de Morrissey. Não garanto é que volte a repetir a experiência, por tudo o que lhe está inerente. O Morrissey? O Morrissey deve ser um gajo porreiro, mas eu preferia jantar com o Saddam Hussein, do que beber uma cerveja com ele.



P.S.: Na foto temos o Retrato do Escriba Enquanto Jovem A.M*. Quando era um animal feliz.

*Antes de Morrissey.




sábado, 18 de outubro de 2014

Da superioridade civilizacional

É difícil não me lembrar, que no meio dessa filosofia da superioridade, própria dos amigos dos animais, faz pouco tempo fui anfitrião de alguém que não era português.

"- Podemos ir até ao Oceanário. A garota vai gostar.
- Não. Não me agradam essas coisas dos animais presos!
- Mas são peixes. Eles nem percebem que estão presos. E ao menos estão vivos. No oceano faziam parte da cadeia alimentar.
- Não!
- Olhem isto é uma francesinha. É um pouco pesado, mas é bastante apetitoso.
- Parece-me que isto é a coisa mais porca que alguma vez comi!
- Bem um destes dias também podemos comer uma boa cabidela.
- O que é?
- (explicação)
- Bleargh!
- Ou ossos à moda aqui de Coimbra.
- O que é?
- (explicação)
- Não. Não comerei disso. É bar-bá-ri-co."


Talvez seja bar-bá-ri-co. Adoro as acentuações silábicas, como nos ensinamentos da catequese, onde ex-pli-cam pa-ter-nal-men-te às pobres criancinhas a cartilha.
Felizmente nunca fui à catequese, mas sei que é as-sim.

Mas dispersões à parte e voltando à gastronomia: será mesmo barbárico? Então os hábitos culturais de uns são barbáricos e os dos outros têm o condão da civilização, é assim?
E depois é claro que logicamente vão ensinar os primeiros a serem civilizados como eles. Porque colonizar é civilizar. Mais manual do "esquerda à brava" tão em voga.

E ainda a má criação e a falta de nível alguém saberá o que são?
Serão também barbáricas ou serão característica própria dos povos civilizados?

Enfim...

Dessa é que foi mesmo castigo divino, com ou sem catequese. Andar a aturar animalistas que só se deslumbravam com lagos com patos dez dias inteirinhos.

Note-se que o roteiro gastronómico foi a hipótese b) depois de perceber que não havia a mínima sombra de pintelho de existir uma grama de interesse, sobre um roteiro histórico-cultural no bonito Portugal. Uma semana depois ainda estava a aturar o Morrissey de bónus.
 Vá lá que a seguir nasceu a minha filha e a vida recompôs-se.