sábado, 18 de outubro de 2014

Da superioridade civilizacional

É difícil não me lembrar, que no meio dessa filosofia da superioridade, própria dos amigos dos animais, faz pouco tempo fui anfitrião de alguém que não era português.

"- Podemos ir até ao Oceanário. A garota vai gostar.
- Não. Não me agradam essas coisas dos animais presos!
- Mas são peixes. Eles nem percebem que estão presos. E ao menos estão vivos. No oceano faziam parte da cadeia alimentar.
- Não!
- Olhem isto é uma francesinha. É um pouco pesado, mas é bastante apetitoso.
- Parece-me que isto é a coisa mais porca que alguma vez comi!
- Bem um destes dias também podemos comer uma boa cabidela.
- O que é?
- (explicação)
- Bleargh!
- Ou ossos à moda aqui de Coimbra.
- O que é?
- (explicação)
- Não. Não comerei disso. É bar-bá-ri-co."


Talvez seja bar-bá-ri-co. Adoro as acentuações silábicas, como nos ensinamentos da catequese, onde ex-pli-cam pa-ter-nal-men-te às pobres criancinhas a cartilha.
Felizmente nunca fui à catequese, mas sei que é as-sim.

Mas dispersões à parte e voltando à gastronomia: será mesmo barbárico? Então os hábitos culturais de uns são barbáricos e os dos outros têm o condão da civilização, é assim?
E depois é claro que logicamente vão ensinar os primeiros a serem civilizados como eles. Porque colonizar é civilizar. Mais manual do "esquerda à brava" tão em voga.

E ainda a má criação e a falta de nível alguém saberá o que são?
Serão também barbáricas ou serão característica própria dos povos civilizados?

Enfim...

Dessa é que foi mesmo castigo divino, com ou sem catequese. Andar a aturar animalistas que só se deslumbravam com lagos com patos dez dias inteirinhos.

Note-se que o roteiro gastronómico foi a hipótese b) depois de perceber que não havia a mínima sombra de pintelho de existir uma grama de interesse, sobre um roteiro histórico-cultural no bonito Portugal. Uma semana depois ainda estava a aturar o Morrissey de bónus.
 Vá lá que a seguir nasceu a minha filha e a vida recompôs-se.

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