Michel Giacometti apaixonou-se por nós e ficou dormindo na minha Terra, o Alentejo.
Está sepultado em Peroguarda (Cuba). De cada vez que lá passo ou lhe vou dar uma flôr ou apito da estrada. Faço questão que assim seja.
Se nos dedicarmos a ouvir algo do canto popular e litúrgico da sua Córsega natal, tudo se torna muito claro,
https://www.youtube.com/watch?v=Z64Iglfn42A
O mais natural e expectável seria dizer que esta coisa me sai aqui do peito. É bonito e poético e a poesia vende-se às vezes. Mas no meu peito sou só eu, e estas coisas imbecis que me descobrem são só água e sal. Não me quero alongar, nem me apetece neste sentido, mas aqui fica uma dica acerca da importância que damos à nossa cultura no bonito Portugal:
Estava no Almada Fórum o documentário "Alentejo, Alentejo" do Sérgio Tréfaut, em sessão única às 19. Agora já não está. Está o "Fado Camané" - e que espero ver aqui em Coimbra.
Ora para mim havia espaço para os dois ao mesmo tempo. Relembro que o "Alentejo, Alentejo" esteve numa única sala em todo o país e em sessão única. Eu tive que viajar 460 quilómetros para o poder ver.
Relembrando a conversa que tive hoje, onde alguém defendia que o serviço público é mau, e que o privado é que é espectacular, faço notar que estes grupos económicos que dominam todas as salas de cinema em Portugal, não sentem dever nada ao cidadão comum, e limitam-se a vender um serviço. Logo não têm qualquer responsabilidade cultural para com ele.
E o cidadão comum contenta-se em apreciar as sombras da caverna que vê na parede, porque essa é a única realidade que conhece. Conhece filmes de porrada e imbecilidades pseudo-românticas pastosas, e julga-se feliz na sua ignorância e cegueira. Tanto é assim, que ironicamente no fim, acaba por defender o serviço privado generalizado que o priva de vôos mais altos.
Trailer do documentário "Alentejo, Alentejo" de Sérgio Tréfaut:
https://www.youtube.com/watch?v=dHyqP9yE4XE
Trailer do documentário "Fado Camané" de Bruno de Almeida:
http://vimeo.com/108083462
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