Caminho Central Português - Dia 4
Rubiães - Valença (19 Km.)
O Dia dos Bichos e das Coisas que os Bichos Fazem
Rubiães - Valença (19 Km.)
O Dia dos Bichos e das Coisas que os Bichos Fazem
Começou bem cedo. Alvorada às 05:30 e partida às 06:30.
Conheci um puto holandês que já vinha da Holanda, fez o Caminho Francês, ia seguir para Fátima, e depois sul de Portugal, sul de Espanha, sul de França, Itália e Roma e depois Veneza e para cima.
E daí? Fixe. Ah: ele estava a viajar sem nada. Sem um tostão no bolso. Ou dormia na rua, ou o deixavam ficar nos albergues. Alimentava-se das árvores, dizia ele. Tentei explicar-lhe que no Sul vai ter dificuldades para fazer isso, atendendo ao tipo de vegetação. Não quis saber. Tentei dar-lhe o bordão suplementar. Não quis. Queria o sacrifício, dizia ele. Ok. cada um sabe de si.
Segui viagem e passei pela Ponte Romana de Rubiães sobre o Rio Coura. O dia estava luminoso e bonito.
O Alto Minho é muito verde, de modo que os bichos têm todos muita papinha e crescem gordos e sadios. Ontem vi uma lagarta de alguns 7 cm. de comprimento e da grossura de um dedo. Hoje foi uma lesma que parecia um leão! É avaliar o tamanho dela em baixo, comparativamente aos blocos de granito da calçada. Parecia um burro.
Parei para meter Nívea nos pés para evitar as bolhas, segundo um bom conselho de uma amiga, e lembrei-me do meu Pai. Quando era pequeno era sempre o meu Pai que andava atrás de mim na praia para me besuntar todo de Nívea por causa do Sol.
Continuei. Na capela de S. Bento deixei o "bordão do milagre". Era emprestado e ainda servirá a alguém.
Depois caminhei o resto do dia e vi montes de bichos. Todos grandes. Todos gordos.
No último terço da jornada, encontro um pacote de açúcar perfeitamente intacto no chão. Abri-o e comi o açucar que ajudou a mitigar o cansaço. Para fazer estas coisas, ainda devo estar em "modo Rambo" e não me apercebi.
Foi um dia
muito duro, por não estar ainda recuperado do "rally na serra" de ontem.
Era para chegar a Tui, mas fiquei-me por Valença. Os ultimos 5 Km. já
foram muito custosos. Perguntei a um senhor se ainda faltava muito para Valença, ao que ele me respondeu que ainda faltavam uns 5 Km.
"
- Quer que o leve lá abaixo?
- Não, obrigado. Isto ou se faz, ou não se faz." - respondeu o John Rambo.
No albergue a senhora avisa-me que em Espanha, tens que ter documento de identificação original (que eu não tenho; viajo com uma cópia do CC) ou não te deixam pernoitar. São rígidos e chatos.
De modo que ainda vamos ter mais peripécias. Por agora vou dormir (sim, já) que estou morto.
Contudo, está tudo equilibrado: dói-me tanto o pé direito, como o joelho esquerdo. A brincar, já fiz mais de 100 Km.
Conheci um puto holandês que já vinha da Holanda, fez o Caminho Francês, ia seguir para Fátima, e depois sul de Portugal, sul de Espanha, sul de França, Itália e Roma e depois Veneza e para cima.
E daí? Fixe. Ah: ele estava a viajar sem nada. Sem um tostão no bolso. Ou dormia na rua, ou o deixavam ficar nos albergues. Alimentava-se das árvores, dizia ele. Tentei explicar-lhe que no Sul vai ter dificuldades para fazer isso, atendendo ao tipo de vegetação. Não quis saber. Tentei dar-lhe o bordão suplementar. Não quis. Queria o sacrifício, dizia ele. Ok. cada um sabe de si.
Segui viagem e passei pela Ponte Romana de Rubiães sobre o Rio Coura. O dia estava luminoso e bonito.
![]() |
| Ponte Romana sobre o Rio Coura |
O Alto Minho é muito verde, de modo que os bichos têm todos muita papinha e crescem gordos e sadios. Ontem vi uma lagarta de alguns 7 cm. de comprimento e da grossura de um dedo. Hoje foi uma lesma que parecia um leão! É avaliar o tamanho dela em baixo, comparativamente aos blocos de granito da calçada. Parecia um burro.
Parei para meter Nívea nos pés para evitar as bolhas, segundo um bom conselho de uma amiga, e lembrei-me do meu Pai. Quando era pequeno era sempre o meu Pai que andava atrás de mim na praia para me besuntar todo de Nívea por causa do Sol.
Continuei. Na capela de S. Bento deixei o "bordão do milagre". Era emprestado e ainda servirá a alguém.
Depois caminhei o resto do dia e vi montes de bichos. Todos grandes. Todos gordos.
No último terço da jornada, encontro um pacote de açúcar perfeitamente intacto no chão. Abri-o e comi o açucar que ajudou a mitigar o cansaço. Para fazer estas coisas, ainda devo estar em "modo Rambo" e não me apercebi.
Foi um dia
muito duro, por não estar ainda recuperado do "rally na serra" de ontem.
Era para chegar a Tui, mas fiquei-me por Valença. Os ultimos 5 Km. já
foram muito custosos. Perguntei a um senhor se ainda faltava muito para Valença, ao que ele me respondeu que ainda faltavam uns 5 Km."
- Quer que o leve lá abaixo?
- Não, obrigado. Isto ou se faz, ou não se faz." - respondeu o John Rambo.
No albergue a senhora avisa-me que em Espanha, tens que ter documento de identificação original (que eu não tenho; viajo com uma cópia do CC) ou não te deixam pernoitar. São rígidos e chatos.
De modo que ainda vamos ter mais peripécias. Por agora vou dormir (sim, já) que estou morto.
Contudo, está tudo equilibrado: dói-me tanto o pé direito, como o joelho esquerdo. A brincar, já fiz mais de 100 Km.
![]() |
| Pink Floyd |
![]() |
| "Bão-ão-ão-ão-ão-ão-ão..." |
![]() |
| O man no seu harém... |







Nenhum comentário:
Postar um comentário