domingo, 13 de agosto de 2017

Grécia - Dia #15 em Setembro de 2015


Ainda na noite do dia 14, e chegado da montanha, cheguei a um hostel em Grifsa. Era mesmo a beira da praia. Assim que cheguei ao meu quarto conheci o Joel, um finlandes. Comecamos a falar e as tantas interrompo-o para lhe dizer,

" Sorry man, but I really have to have a shower, because I stink."

E o Joel a boa maneira nordica, franco e sem merdas respondeu-me,
"Yes you do. But I don't really mind."

Ora nao e isto preferivel ao "nao.. nao, ai eu ca nao noto nada..." e depois nas costas ir dizer que o gajo tresanda? Eu acho que sim.

O Joel era um fisioterapeuta que se despediu para ir viajar por tempo indeterminado. Depois quer cursar medicina, quando voltar. Gajo porreiro.
Estavamos para ali a falar e estava um alemao sozinho, e convidei-o a juntar-se a boa maneira latina. Nao era um gajo muito expansivo - os dois finlandeses que conheci conseguiam ser mais... desconfio que a Escandinavia e um acoito de loucos, no bom sentido - mas la combinamos no dia seguinte ir visitar a Antiga Dion.

A Antiga Dion e um parque arqueologico incrivel, aos pes do Monte Olimpo.
Esta e definitivamente uma boa ideia, no que concerne a promocao da arqueologia. E um parque verde, com uns patos e uns bichos la no meio do verde, mas com espolio arqueologico. Acaba por ter um discurso museologico descontraido, acessivel e francamente interessante.


Dion ja existia na epoca classica, mas adquire maior expressao quando a Dinastica Macedonica a torna o seu local de culto a Zeus. E ai vai realizar depois jogos em contraponto a Olimpo classica, e festivais e rituais.
Pois la vi o templo a Isis, um culto egipcio muito popularizado em Roma, a partir do momento em que o Julio Cesar andou la a dar umas cambalhotas com a Cleopatra, mas ja antes, na Epoca Helenistica ele existia e tinha alguma expressao na Grecia.

Ruinas do "altar de Alexandre"


Vi tambem, ESTIVE NO SITIO!!!!! onde Alexandre, o Grande, sacrificou rezes a Zeus Olimpo, na vespera da sua partida para a gloriosa campanha da Asia em 334 a.C. contra o Imperio Aquemenida.
O que sobra desse altar esta aqui a esquerda decima-terceira imagem.






Nabilium 
Vi alguns "ex-votos" consagrados a protectora das parturientes no museu do sitio arqueologico, alguns objectos em ouro retirados de tumbas macedonicas (os mortos eram cremados e os seus ossos depositados em urnas incenerarias, juntos com oferendas, ou objectos respeitantes a vida, ou estatuto social do defunto; e claro que estamos a falar das elites aqui) mas o que mais me despertou nesse museu, foram os restos do "Nabilium" datados do seculo I d.C. Portanto do periodo romano imperial.
E o que diabo e um "nabilium"? É um "hydraulis" para os gregos!



E um instrumento musical de cordas. Uma especie de cravo que funcionava por principios hidraulicos. Vitruvio fala dele. Ja se tinham encontrado estelas com o mesmo representado, mas eis que aqui descobriram restos dos tubos.
Foi o primeiro instrumento do genero encontrado em toda a Grecia, e o mais antigo de todo o mundo ate hoje.




Plano do Parque Arqueológico de Díon

Depois disso, o alemao, muito amavelmente deu-me uma boleia ate Litohoro, enquanto ele seguiu para Meteora.

Entrei numa igreja ortodoxa e gostei uma vez mais.
Porque e que as igrejas do cristianismo catolico sao tao negras, tao escuras, tao cheias de sofrimento e de imagens cheias de sangue e martirio? Mas que merda de ideia e essa?

Depois comprei um bilhete de aviao para o dia seguinte para ir de Tessalonica a Iraklion, em Creta, pelo mesmo preco que pagaria por autocarros e barco. A diferenca e que e so uma hora e um quarto de viagem.
Quando cheguei ao hostel, ainda dei um bom banho nas aguas do Golfo de Tessalonica. E se eu tinha saudades deste mar quente!

Depois jantou-se e estivemos todos a conversa. Um portugues, um finlandes, um alemao (outro), um norte-americano, uma russa e um cota de alguns 60 anos, grego que faz percursos guiados pela montanha. Falou-se muito. De politica principalmente.
Contou-me ele tambem que "Zorba, o Grego" foi inspirado num homem aqui de Litohoro.
O bom destes hostels e o mau. Conheces gente soberba, e depois despedes-te deles. Mas isso e bom. Ficas com uma boa energia que tens vontade de a passar a outras pessoas.

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